Utopia

Escuta o que eu digo

Entende minhas palavras

Ama-me como eu sou

 

Olha mais de perto

Aprende a abrir os braços

Nada está sob controle

 

Bendita a voz que grita

pedidos impossíveis

e erige pedra por pedra

seu castelo de utopias

 

Desejos perfuram concreto

afetos derrubam tijolos

mãos nuas põem muros abaixo

desde sempre.

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Ela

Ela, com suas ideias erradas,

com cabelo e sapatos errados,

com todo um corpo muito errado,

com pernas e sorrisos equivocados,

abertos demais ou de menos.

 

Ela, posta sob holofotes,

não se sabe se de circo,

de prisão ou de altar.

Sumariamente julgada

por tudo que tem de aparente

 

Ela, que cura as próprias feridas,

estanca o sangue que não cessa,

ela que anda por aí sozinha,

com medo, sem medo, enfrenta.

Em frente

 

Ela é mulher, e de mulher o grito

sacode o pó da mansidão silente.

 

Ela é mulher, e o seu clamor aflito

ainda persegue alguma voz potente.

 

Ser mulher é o exercício infinito

de nunca ser suficiente.