Rodas do Mundo

Os pés cansados, o suor, o andar em falso

acusam a dureza da jornada

que se arrasta em dias modorrentos sem relógio,

rasteja em meses e anos sem calendário

 

Os anos passam tão depressa

e as horas tão devagar.

Tanto corremos, tão cansados,

mas pra onde?

 

Somos peixinhos dando voltas num aquário.

Somos ratinhos de laboratório

resfolegando em suas rodinhas

tentando, desesperados,

chegar a algum lugar.

 

Em algum lugar, alguém repousará,

mas não nós que temos fogo sob os pés,

nós que vivemos pra correr

e corremos pra sobreviver.

Somos animais de circo enjaulados ,

sobreviventes da cadeia alimentar,

encenando as piores leis da natureza,

expostos para entreter a quem?

Corremos, corremos tanto,

movemos as rodas do mundo

que alguém estará pilotando

em direção a algum lugar.

Mas não nós que temos fogo sob os pés

e asas que nunca se abrem.