Ser

Ser é uma utopia

Não há mais que o aparente

Não há mais que o vulgar balanço

De corpos e carnes

Não há nada mais sutil

Não há significado

Não há dor nem prazer nem sentido

Só essa amarga anestesia

De um animal entorpecido

Todo instinto, mas sem vida

Todo sangue, mas sem luz

Chafurdando cego e sem destino

Nem sentimento nem razão

Sem rumo ou ambição

Movido por uma força qualquer

Ou por coisa nenhuma

Sem saber que dele os deuses riam

Sem saber de nada, prosseguia

Sem saber que ser

É uma utopia

Vazia.

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