Luz

Eu sou sem rosto, sou fantasma mascarada

Sem endereço, sou muda

Sem adereço, na surda madrugada

Que não ouve o meu chorar

De lágrimas sem lenço

Onde possam se enxugar

 

O vento esvoaça minha capa escura

Vou pelos cantos

São olhos tantos que me veem passar

Mostram a mim a realidade dura

Da qual é impossível escapar

Cada olhar desviado é uma nova desventura

Uma tortura que não sei apaziguar

 

Sou sombra na noite, acompanho a Lua

Sou mera coadjuvante no espetáculo

Sou apocalipse previsto pelo oráculo

Sou alma errante, sou fera

E enquanto o Sol faz desta terra sua

Castiga a mim com infindável espera

 

No meio dos refletores não brilho, não apareço

Mas possuo muito apreço por coisas de bom valor

São certas coisas que não têm preço

E o destino só reserva a quem é merecedor

Pois posso ser pequena lanterna, humilde lampião

Uma lânguida vela em um simples castiçal

Com seus tênues feixes leio os versos que compus

Mas para que serve um lustre de cristal

Se de dentro dele não emana luz?

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